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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Escorregamento Epifisário Proximal do Fêmur: Mesa ortopédica x Mesa radiotransparente


Resumo:



            Objetivo: O objetivo de nosso estudo foi o de avaliar as possíveis diferenças no tempo cirúrgico e na qualidade do posicionamento do parafuso canulado  durante a fixação “in situ” para o tratamento cirurgico dos pacientes portadores de epifisiólise proximal do fêmur, que tenham sido fixados ou sobre a mesa ortopédica convecional  ou  em mesa radiotransparente. Métodos: Foram avaliados um total de 60 procedimentos, realizados em 50 pacientes no serviço de Ortopedia Pediátrica do INTO/HTO Rj no período entre Janeiro de 1997 a Fevereiro de 2005, sendo 29 ( 58 % ) deles tratados sobre mesa ortopédica e 21( 42 % ) sobre mesa radiotransparente. Resultados:         O tempo total médio de sala operatória dos procedimentos realizados sobre a mesa ortopédica foi de 76,5 min ( 30 – 165 min) e sobre  a mesa radiotransparente foi de 49,5 min ( 20 – 155 min).  Conclusões:O tempo total de sala operatória nos procedimentos realizados sobre a mesa ortopédica mostrou-se superior quando comparado àqueles sobre a mesa radiotransparente, porém não se verificou diferença com relação à sua  eficácia no posicionamento do parafuso, em nenhum dos métodos utilizados.

O tratamento cirúrgico é o método de escolha para os pacientes com Escorregamento Epifisário Proximal do Fêmur. Além de assegurar a fusão fisária, o método é simples, permite a mobilização precoce e assim reduz o risco de uma condrólise futura.
            A fixação com parafuso único no tratamento do Escorregamento Epifisário Proximal do Fêmur é praticamente um consenso. Contudo, mediante a disseminação da técnica, as complicações começaram a surgir, dentre as mais comuns a Condrólise, a Necrose Avascular e o Sobredeslizamento pós fixação.
A falha na técnica cirúrgica acaba por resultar em um mal posicionamento do parafuso, podendo levar a um desarranjo da articulação. O posicionamento ideal do parafuso é no centro da epífise, perpendicular à placa fisária e a cerca de 5 mm do osso subcondral com, pelo menos, cinco roscas do parafuso ultrapassando a fise.
Em busca de assegurar o correto posicionamento do parafuso, a maioria dos autores prefere a mesa ortopédica por acreditar que oferece uma imagem biplanar do quadril. Entretanto, ainda que utilizando as imagens em AP, perfil e Lauenstein existe uma zona da cabeça femoral que não se consegue visualizar.
Apesar de pouco descrita na literatura, a técnica de epifisiodese femoral proximal sobre a mesa radiotransparente tem sido preferida por  muitos cirurgiões e mostrou ser mais rápida sem comprometer o posicionamento do parafuso.
 Também em nossos resultados o ato cirúrgico sobre a mesa radiotransparente mostrou-se mais rápido, tanto nos procedimentos realizados unilateralmente como, principalmente, naqueles  realizados bilateralmente. Nesses casos, o tempo de sala operatória dos procedimentos realizados sobre a mesa ortopédica chegou próximo ao dobro do tempo dos procedimentos realizados sobre a mesa radiotransparente. Essa diferença de tempo se reproduziu em todos os graus de escorregamento, porém nos escorregamentos moderados e graves se mostrou ainda maior. Além disso, a diferença de tempo verificada em nosso estudo foi maior quando comparada à obtida no trabalho de Blasier.
Blasier e cols. observaram que apesar do tempo de sala operatória dos pacientes operados sobre a mesa ortopédica se mostrar significativamente maior que o tempo daqueles operados sobre a mesa radiotransparente, não demonstraram ao final do estudo uma correlação entre o grau de escorregamento e o aumento do tempo total de sala operatória. Por outro lado, os pacientes com escorregamento moderado ou grave tiveram sim um tempo de sala operatória superior ao dos pacientes com escorregamento leve, quando operados sobre a mesa ortopédica.
Os pacientes operados em mesa ortopédica, em nosso hospital, foram fixados na posição 1 com maior freqüência em todos os graus de escorregamento, porém, curiosamente, também obtivemos um maior número de fixações de parafusos na posição 3, entretanto sem uma diferença estatistica significativa.
 Conclusão
            A  técnica de epifisiodese femoral proximal sobre mesa radiotransparente é realizada em menor tempo total de sala operatória em todos os graus de escorregamento e, principalmente, nos casos bilaterais tratados em um único procedimento cirúrgico. Entretanto, não conseguímos determinar os benefícios técnicos desse fato quanto a um melhor posicionamento do parafuso canulado na epífise proximal do fêmur.
Autores:

Celso Belfort Rizzi  Junior

Erico Madureira Slama